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VIAGEM - PENSANDO PALCO DO ROCK 2007
João Pessoa (PB) - de 10 à 16/10/2006
Fotos e narrativas por Gabriel Amorim
Até agora fico extasiado com o carinho do pessoal de João Pessoa!!
Lá a articulação foi ótima!! Edilma Mota, que é do portal do Sistema Correio e do mandato do Vereador “Fuba” (que é músico também e querido pela classe artística da cidade), conseguiu reunir uma grande parte dos produtores e bandas do meio rocker independente para nos encontramos no Gabinete Cultural, um espaço que parece um pub e que faz parte do mandato do vereador. Lá tocam bandas habitualmente e é localizado no Centro Histórico.
Os encontros aconteceram nos dias 09 e 10/10 (segunda e terça), sempre à noite. Aconteceram também pocket - shows, e confesso que fiquei muito impressionado com a qualidade e, principalmente, diversidade das bandas.
No primeiro dia, falei um pouco da história do PALCO DO ROCK enfocando mais no histórico de lutas que ele possui, que muitos de vocês já sabem. Nossas dificuldades atuais, vitórias, etc., e que o Palco do Rock era um festival dignamente rocker (e não de “plástico”), totalmente independente desde o seu princípio. E que aliás, é o seu princípio.
Feito o discurso, respondi perguntas do público. Perguntas básicas, como o que o evento oferecia, sobre o fator intercâmbio cultural, etc. Com isso, fomos assistir os shows, as bandas começaram a me entregar material e fiz troca de contatos com produtores. Conheci o Alex, guitarrista do ”Escurinho” e o próprio, cujo é uma representatividade do World Music paraibano. Atualmente gravou dois dvds através de editais, um deles, o Itaú Cultural. Também o Eliseu e o Marcos, que trabalham junto com Edilma no Sistema Correio, e apresentam um programa chamado “Aumenta que é Rock”, este que agora é produtora e vai se transformar num selo (detalhe – eles são baianos) ; Carol, que faz o “Festival Mundo”, Germana Galvão, que também é produtora de longas datas, enfim... vamos de som!!
Gostaria de deixar claro que as bandas que tocaram não foram analisadas para o processo seletivo. Os pocket - shows foram interpretados apenas como entretenimento da integração.
A primeira banda foi a Projeto Carcará, uma banda nova, mas que dá pra notar que são de músicos experientes. Só a “pequenina” bateria que estava sendo usada... enfim... a banda faz uma mescla do hard rock setentista, heavy metal e umas pitadas de regional. Foi um show técnico, porém, meio frio.
Depois, veio a Mother Hell, que faz um Punk Rock 77’s, cantado em inglês, à lá Dead Kennedys. Fez uma apresentação vigorosa, sem firulas. Tocaram até uma versão de uma música famosa do Ray Charles (esqueci o nome), em versão rock, com a participação de Carol, do Festival Mundo, nos vocais. Brinquei com o vocalista dizendo que ele parecia o Tom Araya do Slayer, por causa dos berros e sua posição na banda (baixo/vocal), e ele disse que “tava mais pra Tom Areia”... hehehehe...
Terceira e última banda do primeiro dia – Gargalo. Composta por pessoas experientes no meio rocker paraibano, faz uma mistura de Rock, Eletrônico e Regional, este último, bem presente. Demorou um tanto pra se arrumar, devido as parafernálias eletrônicas montadas. Bem original mesmo o som. Guitarra afinada em B (SI) - não preciso nem dizer que a banda mostrou bastante peso e vigor.
No segundo dia, mesmo processo. Discurso e show. Vi rostos novos, mais pessoas, o que é ótimo, pois mostra realmente esta diversidade que falei no início, e foge daquela idéia de “panelinha”, coisa que, infelizmente, a gente sempre ouve por onde passa. Fica a prova que temos que parar de reclamar e fazer a coisa acontecer democraticamente. Nós estamos tentando.
Duas coisas que gostaria de ressaltar – uma foi como o pessoal é descrente de processos seletivos democráticos. Todos me pediam pra escutar de uma forma como se isso fosse a coisa mais anormal do mundo!! E sempre enfatizei que isso pra gente era o mínimo, que apesar de vir 100, 200 cd’s, nós escutávamos TODOS com muito carinho e cautela. Lógico que tem um ou outro que você nem precisa (e foi algo que também endossei nos meus discursos), pois logo de prima você houve um vocal desafinado, bateria descompassada, instrumentos desafinados... e todos nós sabemos que isso são fatores básicos que uma banda profissional não podem compactuar, certo??
Outra coisa foi como o pessoal foi atento às minhas falas, e quando vinham me contactar, ressaltavam o que disse em relação à integração, idealismo rocker, processos seletivos democráticos, intercâmbio... em meias palavras, a atitude de ir as cidades para ter um contato direto com o público e bandas, coisa que lá nenhum produtor havia feito. Fiquei muitíssimo feliz em ouvir isso, em saber que estamos sempre quebrando barreiras e democratizando mais os meios para cena rocker (e agora, quem vier depois, é depois...). Aliás, dentro das minhas falações, sempre disse que se não houver uma quebra de barreira, não se enfrentar uma dificuldade, é difícil caracterizar isto como ROCK, pois estas situações estão no sangue, estão incrustadas na história deste “cinquentão” que nunca morrerá, que agrega tantos diferentes ideais, comportamentos, que tem tantos desbravadores.... vou parar por aqui senão vou fazer uma crônica político-cultural do rock... ehehehe...
UMA SURPRESA MUITO BOA: Segundo muitos, há um bom tempo todas as personalidades que se encontraram nesta reunião não se viam. Isso mais do que tudo me deixa muito lisonjeado, pois quando falamos, e muitas vezes, de integração, vivemos esta no seu mais intenso significado. Foi algo muito verdadeiro, o que também vai ficar muito marcado em mim e toda ACCRBA.
E então, Edilma Mota, através do gabinete de FUBA, em homenagem a todo este momento de intercâmbio tanto nosso quanto deles, encaminhou um projeto de Lei para a Câmara Municipal de João Pessoa para que seja instaurado o DIA MUNICIPAL DO ROCK também por lá!!! E o dia?? 10 de outubro, segundo e último dia do nosso encontro!! Não tenho nem palavras pra descrever este momento, apenas dizer que estamos aqui dispostos a ajudar no que for preciso. Comunidade Rocker de João Pessoa – FAÇAM PRESSÃO!! EXERÇAM SEUS DIREITOS DE CIDADÃO!!! No dia da votação do projeto, é necessária a presença de todos, não esqueçam e não deixem passar esta oportunidade!!!!! Mostrem a força que vocês tem, pois é isto que os “poderosos” precisam enxergar!!!!
Observem que, nós aqui instauramos o primeiro Dia Municipal do Rock do Brasil (hoje tem em várias outras cidades do Brasil) em 1998, e ainda não temos o suporte (apoio) necessário para fazê-lo um dia realmente digno pra toda comunidade Rocker e sociedade em geral. Sinceramente, nesta pequena viagem que fiz, senti muita vergonha de Salvador, pois nestas capitais vi muitas coisas que, para nós cidadãos do dito Berço Cultural do Brasil são uma dificuldade funcionar, serem encaradas como BÁSICAS !! E nós bem que lutamos pra mudar esta triste realidade daqui... mas esta é outra história a ser discutida, e não contada...
Voltando ao encontro, vamos de som. A primeira banda foi Alan Rigo (vocalista muito performático) e os Neurônios Ativos. Faz um som calcado no Rock n’ Roll com pitadas de Funk e MPB. Interessante. As letras apontam bem pra o protesto social. 3/4 da banda eram de integrantes do Projeto 50, e o guitarrista era nada mais nada menos do que uma das lendas do rock paraibano, o CACÁ, que era dono de um bar rocker (que infelizmente teve o destino cruel de muitos outros espalhados pelo Brasil), chamado Oficina do Capim.
Após, entra em cena a banda Azeite Sinhora Vó. Com um vocal feminino, a banda mescla o Rock Alternativo com uma pitada de Regional e Psicodelismo. Muito boa banda, bem calcado o som. Thiago, o guitarrista, “viaja” bem no seu instrumento. Anotem o nome !!
Terceira banda, Unidade Móvel. Esta, também com pitadas de regionais, tem um foco mais no MPB, tendo seus momentos de peso, com solos bem heavy metal, que aliás, era notável a influência do guitarrista. Integram as bandas também dois Suecos que se fixaram em Jampa, um no Sax e outro na percussão e sampler. Era muito notável a experiência dos músicos.
Por fim, a última banda, a Projeto 50. Vale ressaltar que ainda veríamos a apresentação da Dalila no Caos, mas o vocalista ficou doente. Enquanto o baixista da P50 não chegava, pois parece que estava gravando uma entrevista com outra banda que participa, rolaram umas jams, com os músicos da banda e diferentes vocalistas. O primeiro foi o Alan Rigo, que é o vocalista da P50 cantando Diversão (Titãs). Depois tivemos Man in the Box (Alice in Chains), mas não peguei o nome do carinha, e finalizando, Manguetown (Chico Science e Nação Zumbi), com o Robério, vocalista da Jackson Envenenado, banda galgada em Jackson do Pandeiro. O cara é tão fã que tem o mesmo tatuado em seu braço. Massa.
Chegando o baixista, a P50 então fechou a noite tocando um Funk Metal com influências de Rock Alternativo com críticas sociais nítidas, características do Alan, que pulou, agitou e se jogou no chão, junto aos instrumentos. Final tipicamente rock n’ roll.
Nos dia seguinte, fui convidado pelo Tiago da Azeite Sinhora Vó a assistir o show deles no Clube Cabo Branco, junto com o Cordel do Fogo encantado (que fez uma belíssima apresentação). A apresentação foi boa, mas acho que poderia ter rendido mais performance. Mas também foram suprimidos às condições de banda de abertura, cujas não preciso nem dizer quais são... ou melhor, digo – som mal equalizado (fui na mesa falar com o operador com toda humildade, que “bossalmente” nem me deu atenção), luz que funciona “à prestação”, enfim, coisas que estamos acostumados a ver. Este show também me rendeu ver uma ótima apresentação do Baticumlata, grupo de percussão dirigido pelo Fabiano (gente muito boa). Tocaram coisas bem regionais, nada parecidas com o axé (por favor). E o grande lance são os músicos, homens e mulheres, que são agentes de limpeza (o popular “gari”). Belo projeto social.
Na quinta, me encontrei com o Jesuíno, produtor de longas datas. Ele também é baiano!! Um agitador cultural, com certeza. Me passou alguns fanzines e cd’s, e conversamos sobre particularidades de nossas cenas, como processos de evolução para as mesmas. Vi um cara meio cansado de certas “situações” bem comuns nos cenários do país, onde o ego é uma barreira a se enfrentar. Mas de maneira ética, assim como nós trabalhamos, não demos “nome aos bois”. Jesú, se tu se aposentar do rock, vou aí te dar uma “sacolejada” – tá “rebocado”!!
À noite, dei entrevista no Aumenta que é Rock, no Sistema Correio, 98.3 FM, com o Eliseu e Marcos, citados no início. Para quem quiser saber o porquê de Sistema Correio, explico: Lá integram TV, Rádio, Jornal e Site. Tudo num lugar só. Por isso o nome de Sistema. Disponibilizaremos em breve a entrevista aqui no site para vocês conferirem. Foi uma entrevista bem descontraída, com um pessoal muito legal e hospitaleiro.
Na sexta, dei outra entrevista lá, só que na CBN AM, com a apresentação de Alessandra Torres. Esta foi mais formal. Liguei a “metralhadora de informação” e atirei. Faltou até fôlego, mas deu pra falar tudo de forma objetiva. Agradeço bastante o espaço.
Mais tarde, visitei o estúdio Vintage, do Guilherme da Projeto50, junto ao Guga (baterista da banda, o “guru” – muito simpático, e bem “viajado” pelo Brasil) e Alan (vocal). Vi os pedais “Hand Made” que ele faz. Precisa só dar uma guinada na estética, coisa que já está correndo atrás. Mas eles são ótimos. Ele não faz apenas cópias, faz “tunning” também. Exemplo – se um pedal só tem uma freqüência (como o MXR Distortion), ele adiciona mais duas, como fez. Vi racks com 3 distorções e até Mesa Boggie Twin. Vai em frente que tem futuro !!
Mais tarde ainda, fui convidado para ver o ensaio da banda Malldgaren, que faz um Rock Alternativo mesclado com Gothic Metal. Interessante a mistura.
No sábado fiquei dividido. Fui primeiro desfrutar de uma bela lasanha (deliciosa!!) na casa de Luna, produtora do Projeto 50 junto à outras pessoas do meio cultural, e depois, o churrasco que a Azeite Sinhora Vó e Dalila no Caos fizeram no seu estúdio. As duas bandas, que tem músicos de ambas, tem um estúdio em um Shopping Center perto de onde estava hospedado. Daí, tive a oportunidade de ver então a Dalila no Caos, que faz uma mistura de Rock Alternativo com muita Psicodelia. Muito boa banda. Eles exploram bem os efeitos de guitarra. Valeu o convite!!!
À noite, fui pra o show do Cachorro Grande no Galpão 14, perto do Gabinete Cultural, cuja produção era do pessoal do Aumenta que é Rock. Muito bom o espaço, show lotado. A primeira banda foi Enquanto Isso, mas não pude ver o show porque cheguei um pouco tarde. A Mother Hell também tocou lá. Foi um show bom, porém meio confuso. Enérgico como tinha que ser, mas não gostei do “revertério” que o baterista deu, creio que por causa do som. Isso acontece com todo mundo, mas a insistência nisso que foi negativa, pois chegou um momento hora que tudo estava em silêncio, e o público ouviu e viu nitidamente suas reclamações. O Cachorro Grande fez um show muito bom, bem profissional, à altura da banda. Mas fiquei desanimado com a jam que fazem em todo show, que durou 20 min. Como já estava bem cansado, retirei-me do recinto. Depois, o show voltou ao normal, mesmo vigor, mas já estava dormindo do lado de fora. Canseira.
Agradeço imensamente ao apoio de todos que citei nesta “curta resenha” e as bandas que tocaram e compareceram nos encontros (Star 61, Dead Nomads, etc.). Saibam que nunca esqueceremos desta receptividade!! Queria deixar um abraço também para duas pessoas que não são de bandas, mas que me renderam boas risadas, que são Cristiano e Gera. Muito obrigado a todos!!!
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