RESENHA DO PALCO DO ROCK 2007 - 13ª EDIÇÃO!!
Coqueiral da Praia de Piatã - de 17 à 20/02/2007
 Por Cléber Silva / Revisão: Gabriel e Sandra

O Festival Alternativo Palco do Rock 2007, na sua 13ª edição dentro do carnaval soteropolitano, atraiu um grande número de público para as quatro noites de muito rock and roll. De sábado à terça de carnaval, 35 bandas dos diversos estilos roqueiros participaram do já tradicional festival, realizado pela ACCRBA – Associação Cultural Clube do Rock da Bahia – tendo o apoio da prefeitura da cidade e governo do estado.

>> I° Dia - Sábado - 17/02/2007
Na primeira noite de shows, a primeira banda a tocar foi a Apaizana, fazendo um rock com guitarras suingadas misturadas ao ska. Foi a primeira vez da banda no Palco do Rock e o nervosismo era visível, apesar de já terem enfrentado grandes públicos. O público se juntou à temática anti-racista e cristã e curtiu sons como O Mal e o Bem e Fique de Boa, além dos covers de Nação Zumbi e O Rappa. Na seqüência, hardcore melódico e surf music com Os Algas. Pela terceira vez consecutiva no evento, a banda, que também atrai grande público, virou referência em Salvador e região metropolitana no estilo de som tocado. Destaque para No Mar Estou Agora, um dos grandes sucessos da banda, cantado em coro pelos presentes. Sobrou som referencial para a banda: Pennywise e Bad Religion já são tradicionais em seus shows. Em seguida, o vampiro Merlin, figura consagrada no metal baiano, sobe ao palco com sua banda, Portal. Sempre performáticos, os integrantes, vestidos como monges e o vampiro empunhado um crânio de um cavalo, desfilaram seu heavy metal com extremo vigor, destacando as músicas próprias da banda. Fato inusitado do show foi a queda de Merlin após ter tropeçado numa Bíblia que fora lançada ao palco. O vampiro rompeu os ligamentos do joelho direito com a queda mas não foi impedimento para que ele terminasse seu show com um cover de Painkiller, do Judas Priest. Em tempo, Merlin precisou ser socorrido por uma ambulância para ser medicado no hospital.

Dando prosseguimento à primeira noite do PDR 2007, a banda Playground, de São Paulo, que está presente como trilha sonora de novela adolescente, a banda foi mais uma das atrações da noite. Seu chamado surf core agitou o público com as músicas Realidade e Playground, além de um cover bem executado da música Polícia, dos Titãs, esta tem grande pretensão em voltar em breve. Outra banda de fora da Bahia foi a Maldita, do Rio de Janeiro, com seu rock industrial. A performance da banda, em especial a do vocalista Erich Malachi, chamou bastante a atenção do público baiano. A provocação anticristã inicial teve suas reações: assim como aconteceu no show da Portal, mais Bíblias foram arremessadas ao palco, o que foi encarado com naturalidade pela banda. Seu séqüito de fãs pôde conferir as músicas dos dois cd´s da banda, além de novidades que estarão no próximo a ser lançado ainda este ano. Tamanha a histeria com a banda e o “sangue” de Erich, fez o público apoderar-se da bacia na qual o vocalista enfiava a cabeça. Alguns se banharam daquela água, outros só assistiram.

Em seguida, a banda Radiozun, pela segunda vez no festival, desfilou suas músicas para uma platéia mais seleta, porém, empolgada com a performance da banda. O power trio, que faz pop rock, também fez um cover do Nirvana, para delírio dos fãs. Outra banda famosa da cena metálica baiana a subir no palco foi a Draconi. Não decepcionaram os fãs e fizeram os headbangers mais felizes naquele dia, tal a destreza e habilidade de seus músicos. Técnica inconfundível. O show ainda teve o cover de Smoke on The Water, do Deep Purple, mais um ponto de ebulição.

Outra banda estreante no PDR mas não muito inexperiente foi a Canibal Brasil. Mais uma banda que aposta na performance de palco e visual. Seus integrantes usam saias parecidas com o kilt, além de estarem engravatados. O vocalista Guga berra suas poesias em forma de rock, dando nuances extras ao som da banda. O Inimigo, Calma e Eduque Bem foram algumas das músicas executadas pela banda, recebendo resposta imediata dos presentes, além de covers para Camisa de Vênus e Garotos Podres.

Era quase 3 da manhã e a banda de hardcore Agressivos HC subiu ao palco. Pegada rápida, nervosa e enfurecida para aquecer as rodas de pogo. Com o discurso social impregnado em suas letras, a banda destilou petardos como Brasileiro, seu primeiro single. Após uma noite que terminou em velocidade máxima, algumas horas de descanso seriam suficientes para a noite seguinte.


>> II° Dia - Domingo - 18/02/2007
Eis que a noite seguinte chega. A banda Lamúria é a primeira a dar os primeiros acordes da segunda noite do Palco do Rock 2007. Com um hardcore melódico bem feito, a banda, mais uma estreante em PDR´s, resistiu ao nervosismo natural da estréia e tocou suas músicas, algumas já conhecidas do público bem jovem que os acompanha. Depois, uma das bandas mais aclamadas da noite. O famoso grito de “toca Raul” foi obedecido pelos rapazes da Aluga-se. O Pai do Rock brasileiro, o baiano irreverente e ainda hoje atual, Raul Seixas, foi homenageado pela banda que faz covers do Raulzito, além de músicas próprias, calcadas na vertente do ilustre mestre. Os fãs se amontoaram em frente ao palco e cantaram juntos todas as músicas do repertório da banda, mais um grande momento do Palco do Rock.

Vinda de Belém do Pará, a Delinqüentes mostrou mais de vinte anos de vigor e som pesado. Um hardcore com influências de metal para ninguém botar defeito. Defeito, aliás, que o som insistiu em dar, mas nada que estragasse a apresentação dos paraenses. Dava pra ouvir os fãs gritando os nomes das músicas, além de cantarem juntos grande parte delas. O lançamento do EP Indiocídio na Bahia não podia repercutir de outra forma. Ao final do show, fãs se aglomeraram, tanto no stand de vendas de cd´s e material alternativo VACA VERDE quanto na saída dos camarins. Todos queriam pelo menos um autógrafo da banda que parte deixando saudades.

A segunda noite foi a dos grandes momentos. A banda Movidos à Álcool com o seu rock brega fez o que quis em cima do palco. Teve oração pra cachaça, homenagem ao Velhas Virgens, participação especial de Pablues, na gaita, da banda Clube de Patifes, e do seu dançarino, um senhor de aproximadamente 60 anos. Suas músicas já se tornaram clássicos do brega and roll baiano, com destaques para Eu Vou Morar no Brega e A Cerveja Não Pode Acabar.

Se estamos citando grandes momentos, eis mais um: a banda Nomin. Recentemente elogiada pelo jornalista e crítico musical Antônio Carlos Monteiro, a banda subiu ao palco com o peso de ter, também, um dos melhores vocalistas de metal do Brasil, o Lucas Mayfrey. A Nomin se destaca muito por ter músicos competentíssimos e enveredar por uma vertente um tanto esquecida na Bahia. Além do Heavy Metal, o Hard Rock se faz presente nas músicas da banda, como o mais novo single Deep Inside in My Heart. Outras músicas como Difficult Words e Secret Dreams se destacam num repertório que contou com um cover de Bon Jovi.

A sexta banda da noite “desceu o pau” no punk rock e hardcore oitentista. A Pastel de Miolos, uma das veteranas de Palco do Rock, com mais de dez anos de estrada fez um dos shows mais enérgicos da noite, com grande participação do público. Como no show do ano passado, a corda da guitarra quebrou logo nas primeiras músicas. Nada que tirasse o brilho da noite, com direito a covers da Plebe Rude, Ramones, Olho Seco e Replicantes, além de músicas próprias como Ted, Skate & HC e PDM.

A banda que deu prosseguimento a segunda noite do PDR foi a Starla. Outra novata no festival, porém, experiente na cena, não pôde contar com o seu vocalista, mas executou seu set com maestria, usando bastante de peso e melodia, características marcantes da banda. Outra banda que abusou do peso foi a Desrroche, que encerrou a noite. Seu rock industrial e a performance de palco dos integrantes chamaram bastante atenção do público, que conferiu atentamente. O vocalista Lexpedra, como uma cútis prateada, entoou o tom mais grave da noite, mais uma vez, encerrando com chave de ouro (ou prata!).

>> III° Dia – Segunda - 19/02/2007
A terceira noite do festival prometia mais diversão e rock and roll. A porrada sonora começou com a banda Hard Call, que faz hardcore melódico, ou “qualquer coisa ‘core’”, como insistem em dizer. Apesar de outras apresentações na cidade e em cidades do interior, foi sua estréia em PDR´s, o que talvez tenha dado um certo nervosismo na banda. Porém, a energia aplicada à festa fez com que a banda executasse muito bem suas músicas deixando o terreno preparado para a Órbita Zero. Esta, por sua vez, bastante experiente no cenário rocker da cidade, fez um show certeiro. Groove e peso em dose certa para o público. Seus músicos são extremamente competentes, com destaque para seu baixista, Yuri e sua presença de palco incontestável.

Com mais de dez anos de estrada, a banda Ant Corpus deu prosseguimento ao terceiro dia do festival. Após mudanças na formação, a banda estabilizou-se e fez um show cheio de energia, que o diga Marcos, vocalista e guitarrista, com sua cachaça trazida do Espírito Santo, a qual o público tomou como posse e só a devolveu para um gole rápido. Com seu Heavy Rock Progressivo, a banda fez algumas de suas músicas, além de incendiar a platéia com dois covers do Iron Maiden, tradicionais em seu repertório.

A quarta atração da noite revelou uma grande surpresa. Apesar de o Bruno Nunes já ter tocado em festivais diversos até mesmo fora do país, como Montreux, era um mero desconhecido do público do Palco do Rock. Para este show, o artista trouxe uma grande banda que contava, inclusive, com uma participação internacional de peso. Trata-se do baterista Bryan Nave, que já tocou com John Lee Hooker, nos Estados Unidos. Neste show, o público pôde conferir Pink Floyd, Raul Seixas, Cazuza e Rolling Stones, em versões cheias de energia, própria de um artista experiente. Ele cativou a platéia, que curtiu até o final, onde ele deixou bem claro o seu apoio ao cenário rocker baiano.

A única banda a participar de todas edições do Palco do Rock, a Ulo Selvagem, subiu ao palco com a falta sentida do seu guitarrista Augusto Pablo, irmão do Ray Bass, que juntos fundaram a Ulo Selvagem – o mesmo se converteu ao cristianismo e deixou a banda. Porém, a falta se transformou em mais energia. Há tempos um show da Ulo não refletia tanto um sentimento de força e união. São quase vinte anos de estrada, com passagens por quase todo o Brasil, além da Argentina. A banda atrai um grande público que canta suas músicas. As rodas de pogo são abertas para que, ao comando da vocalista Sandra de Cássia, o hardcore crossover da banda possa passar, deixando um rastro de competência e sobriedade. Só para constar: a banda não tocou um só cover, fato que vem acontecendo a 3 (três) anos e a galera agitou do começo ao fim . Outro ponto é que apesar da banda subir com músicas novas no repertorio, já não lança material há algum tempo. Este fato está criando euforia e muito tumulto nos fãs por CDs – mas tem-se a promessa pra galera se preparar, porque vem muita novidade.

A expectativa pela banda Meteora era grande. Outra banda estreante em PDR´s, mas não inexperiente, não teve problemas com nervosismo. Seus shows pelo Brasil deram suporte à banda para continuarem as atividades de forma constante. Com um grande público, a banda fez seu New Metal vigoroso, deixando clara a evolução sonora do rock and roll baiano. Houve participação especial do vocalista Fabrício, da banda Mundo Tosco, em música do System of a Down, além do cover de Smell Like a Teen Spirit, do Nirvana, o que fez da platéia ainda mais excitada e recordar shows que ficaram da na historia do PDR.

Outra banda de grande repercussão no cenário underground da Bahia, a Eskaravelho, também participou do palco deste ano. Lançando cd masterizado nos Estados Unidos, a banda fez mais um show empolgante para o público do Palco do Rock, tocando seu som baseado no hardcore melódico. Depois, outra banda com grande destaque no cenário subiu ao palco. A Intra, que estreava em PDR´s, fez um bom show, contando com a participação do Fábio Duarte, da Meteora, na formação. As músicas executadas foram bem aceitas pelo público, que vibrou bastante durante a apresentação.

Com o palco preparado, foi a vez da Mundo Tosco, para encerrar a noite. Após a mudança na formação da banda, o que causou um hiato de quase um ano,a banda voltou com extremo vigor. Destacou-se pela segurança dos músicos e pelo peso mostrado nas músicas novas, além das velhas conhecidas do público. Fabrício, vocalista, mostrou-se mais experiente, explorando regiões vocais graves, encaixando muito bem na proposta do som pesado da banda.



>> IV° Dia - Terça - 20/02/2007
Para o quarto e último dia do festival, estava reservada uma grande seqüência metálica. O primeiro show da noite ficou por conta da banda Entrementes. Seu rock and roll, tido como tradicional, foi curtido por quem apareceu logo cedo, agregando aqueles que ainda chegavam ao espaço. Depois, foi a vez da grande performance de palco da banda V.U.L.G.O. Seu hardcore melódico e potente foi ao ápice em músicas como Montanha Russa, que já ganhou um clipe, disponível na internet. Som rápido e certeiro.

Para continuar a noite, a banda Dimensões Distorcidas, muito elogiada após o lançamento de sua primeira demo. Muitas vozes no palco, saindo de uma só boca. Foi essa a impressão de quem estava no local. A simplicidade, aliada à competência de seus músicos, fez do show um grande momento deste quarto dia de Palco do Rock.

Nem bem deram boa noite e o apresentador Ajota fez uma pergunta que não queria calar: “Qual recado você mandaria pra Ivete Sangalo?”. Suck My Dick and Die foi a resposta de Carlos Ruffeil, dono de irreverência e agudos incríveis, da banda Jolly Joker. Metal paraense para um público que desconhecia a banda, apesar de contar com Paulo Gui na guitarra, também da primeira banda de Heavy Metal do Brasil, a Stress. A frase “felativa” não nos permite tradução, mas foi repetida pelo público diversas vezes, principalmente enquanto tocada pela banda. Outros pontos altos do show como em Descriminalizar, Schizo e Ces´t La Vie, essa também cantada em coro. Durante o show, observou uma correria para o stand de vendas de cd´s e material alternativo, a Vaca Verde. Resultado: Cd´s esgotados antes mesmo do show terminar.

Após uma leva de sons pesados, a banda Levant, do Ceará, fez um rock alternativo, com direito a música da trilha do Castelo Rá-Tim-Bum e músicas próprias, contidas no cd da banda. Show bem recebido e bem feito.

A próxima banda teve um problema: o show estava marcado inicialmente para o domingo mas devido a problemas com atrasos, precisou ser remanejado para a terça-feira. Nada que abatesse os garotos. Sua estréia nos palcos (Isso mesmo! Nos palcos da cidade) foi bastante enérgica e bem recebida pelos novos fãs. A Metropolis fez um Heavy Metal de qualidades extremas, contando com o “apoio” de covers como Master of Puppets, do Metallica e outra do Symphony X. Foi uma banda apontada como revelação do Palco do Rock deste ano.

A sétima banda a subir ao palco foi a Burning Heart. Heavy Metal e Hard Rock tocados com extrema técnica. A banda, que apesar de novata, conta com músicos experientes e desponta como destaque no cenário baiano. Outra candidata a destaque é a TemplariuS. Power Metal de primeira qualidade. Músicos competentíssimos e músicas marcantes marcaram a apresentação da banda no Palco do Rock, além de covers para Helloween e Iron Maiden.

Escalada para encerrar o festival, a banda Aqueronte, de Doom Metal, não contou com sua vocalista mas não foi problema para que o Júlio César pudesse entoar o mais grave tom. Com qualidade acima da média, a banda trouxe para o palco o que de melhor tem e tocando músicas dignas do estilo, além de um cover da banda Tristania. O festival foi encerrado com chave de ouro, deixando a expectativa para o próximo, tendo certeza de fortalecimento da cena.

- Não deixe de ver as fotos resenhas e confira muito destes momentos resenhados -

Serviço: Todos os materiais das bandas encontram-se a venda na VACA VERDE em shows que a ACCRBA apóia e em breve na VACA VERDE VIRTUAL !!

>> Agradecimentos PDR 2007:

Prefeitura Municipal de Salvador, Emtursa, Bahiatursa, Governo do Estado, Polícia Militar da Bahia (Coronel Josué Brandão, Tenente Filardi e equipe), Sandra de Cássia, Gabriel Amorim, A.J., Cléber Silva (Diretores da ACCRBA), Cleide Bispo (Vaca Verde), Jamilly Teresa, Géssica Acássia, Bia Rebel, Giuliana Hansen, Guh "Dimensões Distorcidas", Sandrão "Mão de Pedra", Álvaro e Equipe de Segurança, Pedrão e Merina (Emtursa), Sérgio, Rosimeire e Equipe da Coordenação da Emtursa no evento, Jorge Velho Punk (Filmagem), Miguel Monstruo (gringo - Fotógrafo), Lúcio de Valéria, (operador de som salvador!!), João Paulo (Os Nóides) e seu professor de operação de som Fábio Marc (Canivete Digital) - que deram uma força também!! - Eduardo e Estação do Açaí, Carlos e Br Mania, Grego e Trincheira Lan House, Ong Jogue Limpo, Red Pigs M.C., Jornal Local, Revista Dynamite, Site Canções.com, ClikFesta.com.br, à todas as bandas que participaram, que mandaram material e ao público quem compareceu em massa e curtiu o nosso "woodstock" baiano por 4 dias!!!

Abraços a todos!!!

:: CLIQUEM AQUI E CONFIRAM AS FOTOS!!