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RESENHA FESTIVAL ROCK DE BATOM 2008 - 04ª EDIÇÃO
Espaço Lampião (Patamares) - 27 e 28/09/2008
Por Cleber Silva / Revisão: Gabriel e Sandra
Sempre lutando pela resistência do rock independente e por uma cadeia produtiva musical mais abrangente, a Associação Cultural Clube do Rock da Bahia – ACCRBA – realizou a 4ª edição do festival Rock de Batom, nos dias 27 e 28 de setembro. Diversas atrações, além das musicais, puderam ser apreciadas pelo bom público que compareceu nos dois dias.
O Rock de Batom mostra-se forte e necessário à medida que a sociedade observa os valores humanos existentes no sexo feminino. A então sociedade patriarcal, com seus machismos, cede ao encanto da mulher e, mais precisamente no ambiente do rock and roll, o chamado “sexo frágil” se impõe e produz tanto quanto o homem.
Diversas atividades desenvolvidas por mulheres foram celebradas nas duas tardes/noites do evento. A Cooperativa do Rango Vegan; Malabares, com Carol Marques ; Informativos sobre a Saúde da Mulher, com Luciana Almeida ; Cd’s e Camisas com a Vaca Verde ; Rebeca Lawinsky, representante da arte Grafitty; Luiza Mahin, com a Dança do Ventre e Artigos Indianos ; a Tatuadora e Piercier Elvira e a Mini Expo Rock de Batom, com nomes que fizeram e fazem o cenário rocker local, nacional e internacional, representaram suas importantes atividades e se tornaram atrativos a mais para quem foi ver os shows das rockers cheias de atitude, beleza e encanto.
Sábado - A banda PREÁZ abriu o primeiro dia e mostrou que a prática leva ao amadurecimento e, conseqüentemente, à perfeição. Composta totalmente por mulheres, a banda executou covers de grupos inspiradores como Queens Of The Stone Age e Foo Fighters, além de músicas próprias. Alguns deslizes normais aconteceram, contudo, a apresentação não ficou comprometida e as garotas fizeram um bom show.
Logo após, diretamente de Feira de Santana (BA), veio a ENDOMETRIOSE, que largou petardos Punk/HC feministas e cheios de “charmosa violência sonora”. Atraiu os fãs do estilo e muitos simpatizantes de música mais extrema que compareceram ao Lampião. Foi um show poderoso, encarado como o melhor que a banda fez até o momento. Músicas autorais mescladas com covers de bandas como Garotos Podres em “Oi, tudo bem”.
A terceira atração foi a VANESSA PONDÉ, ex-vocalista da banda Stram, desfilou belezas no palco. A primeira, física. A segunda, vocal. Vanessa talvez tenha inaugurado um “happy-hour” nos shows de rock, sendo acompanhada por violão e caixa. Ela cantou músicas de sua autoria e fez versões acústicas para compositores como Pitty e Herbert Vianna. Lá, o público não se manifestou contrário à aposta acústica. Resta saber se esse formato poderá ser aplicado em outros eventos, logrando o mesmo êxito do Rock de Batom.
Para fechar a noite, a MATIZ levou ao palco seu profissionalismo e dedicação, qualidades as quais têm valorizado a banda pelo Brasil afora. Flertes indies e pops na panela do Rock caracterizam a sonoridade autoral da banda. Mariana tem uma voz doce que casa muito bem com as melodias, o que explica as indicações recebidas em diversos prêmios aos quais a banda concorreu.
Domingo – As mesmas atrações que compunham o evento desde o início continuaram com seus stands e variedades. Luiza Mahin permaneceu linda e competente na Dança do Ventre; a Cooperativa do Rango Vegan continuava firme e forte no ideal vegetariano e da liberação animal; Elvira nos piercings e tattoos; Cleide Bispo comandava a Vaca Verde e o material das bandas ; a Mini Expo Rock Feminina e seus informes, Luciana Almeida dando informes sobre a saúde da mulher ; Carol Marques rodava e rodava seus malabers e Rebeca Lawinsky finalizava sua arte preparada especialmente para o evento: uma representação de Janis Joplin através da arte Graffitty.
Na seqüência dos shows, a STRAM abriu o dia e foi uma grata surpresa a este que vos escreve. Seu material de divulgação na Internet deve ser trocados por um mais atualizado às pressas. Guitarras bem postadas e, se não me engano, afinação variada do bordão mesclaram peso e melodias em medidas agradáveis. A banda não sentiu (ou parece não sentir) a ausência de Vanessa Pondé, que fora substituída à altura.
Mais beleza sobe ao palco. Desta vez, unida ao peso e brutalidade do Metal. A banda CHARLOTTE, de Vitória da Conquista, faz uma mescla de sons pesados. Às vezes limpo, noutras vezes, extremamente berrado. Pode-se imaginar a variedade de pesos em suas duas opções, entre outros covers: Sepultura e Silverchair. As meninas são super simpáticas e interagem bastante com o público, deixando-o à vontade para extravasarem suas emoções tanto pelas headliners quanto pelo baterista Joilson Porto, “macaco velho” de bandas de Metal em Conquista.
Depois foi a vez de uma das mais veteranas bandas baianas em atividade. A ULO SELVAGEM, que havia completado 21 anos de carreira no dia anterior, fez um repertório bastante conhecido de seu público e levou seu hardcore/crossover no volume máximo a muitos que não tinham escutado. Em “Confissões de um Mundo Globalizado”, Thiago Seco, vocal da SONORA, fez dupla vocal com Sandra. Ela mostrou o que sempre soube fazer, com seu jeito enérgico e carismático, e ele mostrou um algo mais: que precisa novamente de uma banda de hardcore. Já em “Metrópole”, a participação especial da vez foi do ex-baterista Jorge, que acompanhou a banda por 08 anos. Enfim, a Ulo fez um show “Animaaaaaaaaaallllllllllll”, como sempre!
Em seguida, a INCRÉDULA subiu ao palco com o aval de uma grande fatia do público presente. Vencedora de prêmio importante dentro do cenário musical independente soteropolitano, a banda deu um salto significativo em sua produção, sendo bem cotada para já assinar contrato com um novo selo que promete diversificar o mercado. O som da Incrédula pode ser encaixado no Gothic Rock/Metal, mas não parece querer se prender a um único rótulo, apesar de ter feito muito bem um cover do Evanescense, ícone contemporâneo do estilo.
Para encerrar a noite, a ACANON subiu ao palco com novo guitarrista e isso parece ter dado uma injeção de ânimo na banda. Led Beslard, que liderava a Harzoth, é o responsável pela guitarra-base. Juliana Cazé continua competente com sua voz cheia de agressividade. Aos machos, nem queiram escutá-la sem essa tal agressividade, pois correm sérios riscos de serem atraídos por tamanha faceta pueril de uma ninfeta. A Acanon evoluiu e sempre tem feito shows na cidade, o que configura uma incessante busca pelo melhor. Competência têm.
O Rock de Batom despediu-se dos seus já deixando saudades, além de uma expectativa para sua realização em 2009, com mais atrações e mais dessa beleza feminina que encanta a nós, machos, que entregamos nossas vidas e desejos às mais variadas formas e visões de mundo, sempre brilhantemente femininas.
Abraços a todos!!!
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