PALCO DO ROCK

CHICO CASTRO JR.
ccastrojr@grupoatarde.com.br
 

Todo ano é a mesma agonia. O Palco do Rock, criado e organizado pela Associação Cultural Clube do Rock (ACCR), e que acontece desde 1994 no coqueiral de Piatã, durante o Carnaval, agoniza com falta de verba, equipamentos precários e ameaças de cancelamento.
Na semana passada, a entidade organizadora procurou os meios de comunicação para denunciar que a Emtursa, órgão da prefeitura que organiza o Carnaval, estaria cogitando acabar de vez com a festa do pessoal das camisas pretas.
Segundo o Clube do Rock, no último dia 13, foi realizada mais uma reunião semanal do chamado Conselho do Carnaval. Durante a reunião, o diretor de Eventos e Festas Populares da Emtursa, Paulo Roberto Carvalho, teria proposto a extinção do Palco do Rock. A reportagem de A TARDE buscou falar com a Emtursa para apurar o que de fato houve.
Esbarrou na assessoria de imprensa do órgão, que afirmou, com veemência, que essa proposta não está em discussão, e, portanto, ninguém se pronunciaria a respeito. A assessoria admitiu que a proposta “pode ter acontecido” durante a reunião, mas que ela não entrou na pauta, portanto, não existe essa possibilidade de dar um fim no P.d.R..
Sandra de Cássia, presidente do Clube do Rock, conta que essa informação lhe foi passada pelo diretor executivo do Sindicato dos Músicos da Bahia, Sidney Zapatta.
Ele teria inclusive solicitado uma cópia da ata da reunião, onde estaria registrada a proposta de Paulo Roberto, mas esta lhe foi negada.
Bem ou mal, o fato é que a Emtursa nega querer acabar com o P.d.R., o que tranqüilizou, pelo menos por enquanto, a comissão organizadora do evento.
“A verdade é que a Emtursa não quer que a gente cite para os meios de comunicação as falhas da organização do Carnaval, especialmente as que acontecem longe do circuito, nos palcos de bairro, que são enormes”, afirma Sandra .
Ela ainda reclama que, há mais de uma década, o recurso para pagar o cachê das bandas foi cortado. “Só recebemos um mínimo para operacionalizar o evento. As bandas tocam de graça.
O estranho é que isso só acontece no Palco do Rock. No palco do hip hop, que só surgiu em 2007, todo mundo que sobe ganha cachê, assim como em todos os palcos de bairro. Por que só o do rock não tem direito? Que democracia é essa? Aonde está a tão propalada diversidade do Carnaval baiano? Isso é uma imensa farsa!”, esbravejou.
Sandra explica que o interesse em manter o Palco do Rock não se deve apenas a ter quatro dias de shows grátis para agradar aos apreciadores, mas também em “criar e sedimentar um mercado de trabalho para todos esses músicos que têm um público sufocado o ano inteiro. Até os equipamentos que nos cabem são os piores possíveis, em péssimo estado de conservação. Mas nós não arredamos pé e vamos continuar batalhando por esse espaço, até para garantir uma real diversidade”, concluiu.
diversidade”, concluiu.