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27/01/2005
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Música
Só não sai quem não quer

Carnaval nas ruas de Salvador mostra que existe vida além do axé

Andréa Lemos


Este ano os roqueiros que sobrarem em Salvador não vão ter mais o palco do rock. Vão ter trio elétrico. A história não tem nada a ver com mudança de estilo ou rendição ao mercado. As guitarras que habitam o tradicional Palco do Rock, montado desde 94 no coqueiral de Piatã, vão tocar em cima do maior símbolo
do carnaval baiano, que será mantido parado durante os quatro dias de rock’n roll.

A proposta partiu da prefeitura, que alegou não ter dinheiro para montar uma estrutura nos moldes anteriores e ofereceu aos organizadores do evento [Associação Cultural Clube do Rock - ACCR] o carro. A ACCR aceitou e alguns músicos acham a idéia interessante. “Nunca imaginei que iria tocar em cima de um trio”, diz Ivana Vivas, 23, cantora da Demoiselle.

Toni Oliveira, 32, guitarra: “Acho que tocar em um trio serve também para mostrar que a galera do rock não é contra carnaval. O Palco do Rock é uma idéia excelente porque é um espaço legal, com boa estrutura, onde as pessos têm a oportunidade de conhecer o que rola na cidade entre os diversos estilos”. Sandra de Cássia, presidente da associação, completa: “Não somos contra seguimento musical nenhum. Apenas acho que outros seguimentos também devem ter espaço no carnaval, que é uma festa popular”.

A 11ª edição acontece entre os dias 5 e 8 de fevereiro, em local aberto e de graça, e traz 40 bandas [36 locais e quatro de fora]. Sandra espera que cerca de oito mil pessoas confiram o Palco do Rock nesse carnaval. Desde 94, 2002 foi o único ano em que o evento não rolou. Em 2003 e 2004 a festa aconteceu no Teatro da Praia, com entrada paga e platéia reduzida, por volta de 1.200 pagantes.

Rock na avenida

Se o trio elétrico do Palco do Rock fica bem longe do circuito convencional de carnaval, tem trio que vai levar um som mais pesado para avenida. Falcão vai estar no percurso Barra-Ondina. O Rappa, não.

Mas o reggae e rock que caracterizam o som da banda marcam presença no bloco patrocinado pela Skol, no domingo e na terça. Os músicos que vão acompanhar o cantor são amigos, convidados por ele mesmo. O pacote para esses dois dias sai por R$ 180. Mas quem estiver de fora das cordas também pode curtir. Na segunda, a atração do Bloco Skol é a banda baiana A Zorra.

No Expresso

O Expresso 2222, do ministro Gilberto Gil, vai receber na sexta-feira de carnaval as duas filhas, Preta e Nara, Lan Lan, David Moraes, Beto Aguiar e Jiló - filhos de Paulinho Boca de Cantor -, grupo que forma a banda Tresloucados.

Para animar no carnaval, os Tresloucados vão jogar parte do repertório da carreira solo de cada um, os frevos de Caetano Veloso, merengues tocados por Gerônimo e as músicas antigas de Luiz Caldas que voltaram às rádios com o gancho dos 20 anos de axé music. “Vamos levar para galera músicas que nos emocionam”, diz Lan Lan. Os convidados do dia serão Gil e Daniela Mercury.



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