RESENHA - PÚBLICO - EXPO ROCK 2005

O PÚBLICO DA EXPO ROCK 2005
Por Sandra de Cássia


A EMOÇÃO, RAUL E A EXPO ROCK. Vale registrar que a primeira edição da Expo-Rock, em 1999, foi realizada nas dependências do Shopping Piedade, fato que não esqueceremos jamais. O primeiro a creditar apostando na nossa capacidade de desmistificar o segmento de toda má imagem do imaginário popular, que nos cria diversas formas de marginalização. Para nós, a frase que nos identifica melhor e jamais devemos descartar, é a antiga PAZ, AMOR E ROCK N’ ROLL... Somos rebeldes com causas polêmicas, porém racionais, longe da imagem de que ser “rocker” significa tem que quebrar, bater, jogar lixo para cima, desorganizar, entre outros...

Voltando a Expo, devido à emoção demonstrada por muitos visitantes que por ali passavam, comecei a sentir uma enorme necessidade de registrar estes sentimentos, fotografando e realizando uma breve “entrevista” para constatar a real importância da Expo – Rock no conceito pessoal de cada um destes visitantes. Resultado: muita emoção e mais motivação para irmos em frente...

Tudo ia muito bem, até que aconteceu o que é do conhecimento de todos: os nossos computadores deram pane. Por estarmos colocando os dados diariamente, perdemos alguns bons comentários e o programa criado para identificação de entrevistado, bem como fotos... Sorte não ter perdido tudo... o que salvou, resolvemos apresentar desta forma para fazer jus ao realizado... uma trabalheira só!!

Logo, na seção de FOTOS, pedimos desculpas pelas fotos que vão estar sem nome.

Léia, simpática 34 anos, relata que cresceu escutando Raul Seixas, e que sente que cada letra se adequou a cada fase de sua vida. Revelou que durante o parto da sua primeira filha, sob efeito anestésico, o medico constatou que ela cantou músicas de RAUL durante algum tempo da transição do inconsciente para o consciente... Ainda diz que foi escondida dos pais para o enterro do ídolo, e fez questão de oferecer-se como voluntária à ACCR para o que precisarmos. Segundo Léia, é super importante guardar e mostrar este patrimônio que é nosso (baiano), bem como a liberdade que Raul pregou, que a serviu como filosofia de vida. Leia, como todos que participaram das entrevistas, deixaram seus contatos e liberaram a divulgação dos depoimentos.

Eduardo Nunes, 25 anos morador do bairro Guarani à 15 anos, admira o trabalho de Raul. Diz que era mais que merecido o que estávamos realizando pelo que Raul fez. Segundo ele, Raul dignificou o Estado da Bahia e que era muito bom chegar na Expo e ter livros disponíveis para apurar o seu conhecimento.

Querino Vanderlei, 60 anos, também com a emoção a flor da pele que não se explica. Diz que era da época do Fox Blues vira Rock. A morte de Raul foi uma grande perda. Hoje reside nos Barris, mas na época de RAUL morava na Ladeira da Fonte, nº 09, que não existe mais... Ainda mais emocionado, diz que também foi um grande músico, e que no Sul do País, foi mais reconhecido, expressa a sua mágoa.

Ao abrir a Expo na manhã do dia 07/07, às 09hs, lá estava Virgínia, muito curiosa a fim de saber de tudo e muito fã, na companhia de Daiana Lima, 15 anos, estudante do Odorico Tavares, moradora do bairro Engenho Velho de Brotas (de Óculos). Daiana acha importante para aprimorar seus conhecimentos culturais este tipo de iniciativa. Diz que há uma riqueza cultural deste estilo musical. Não gosta de pagode mais reconhece que deve haver espaço pra todos estilos, porque se não chateia, pois há momentos para curtir de tudo um pouco...

Já a Virginia acha que existe muita burrice cultural e que a falta de informação é grande. “Parece que só existe o pagode... O pagode, o Axé e demais estilos são para se divertir, mas música como a do Raul é pura cultura que só acrescenta”.

Ao lado das duas, aparece também Regina Cruz, 18 anos, estudante do Colégio Central, moradora da F. Grande

João Santos, morador do Dique Pequeno, nº 58, 49 anos, foi levar uma foto que lhe foi lhe dada de presente por uma amiga que já faleceu. A foto relata o momento da assinatura do contrato de Raul Seixas com a gravadora CBS, levado por Jerri Adriane que também aparece na foto... Ficou fascinado com tudo que viu e nos prometeu que assim que tiver vontade de doar a foto que vai nos procurar. Esta foto tem um valor incomparável...

Joílson Silva Júnior reconheceu seu pai em uma das fotos dos expositores tocando na banda do Raul. Ficou emocionado, mostrando o fato aos amigos e a namorada. Nos relatou que o pai andou muito com Raul.

Carlos Alberto Dias Fiúza, 59 anos, estudou no colégio Central, conhecido na época como colégio da Bahia, com seu irmão. Conviveu com Raul, com Maria Bethânia e outros. Disse que é emocionante ver sua vida envolvida em lembranças de boas épocas.


Gil Delon, amigo de Thildo Gama, tem um programa de rádio e aparece em uma das fotos expostas na Expo Rock, ao lado dos amigos da época. Sentiu-se gratificado por ter vivido e convivido com os caras.








João Taboada, outro guerreiro da cena rocker baiana, foi levar seu abraço e deu uma boa conferida nos materiais expostos. Este formador de opinião nos é de grande importância por ser fiel com o compromisso com a verdade no seu meio de comunicação, o Reidjou. Afinal, como diz Raul “Não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz, não quero ir de encontro ao azar”... Recomendamos ver o Reidjou, pois precisamos de pessoas éticas que se prestem a desenvolver um trabalho de bom nível na área de comunicação... Valeu sua presença!!


Semar Mutti de Lima, figura simpática, tanto quanto a sua imagem. É dona de um poder muito grande de transmitir paz apenas em olhá-la, nos chamou a atenção quando usou sua serenidade para simplesmente expressar que era linda a iniciativa.

Sulivan Bradock, 12 anos, estudante do Colégio Amélia Rodrigues 2 de julho, diz que gostar de Raul foi influência do Pai, garantindo que o pai é uma sósia do Raul. A Karen Stephanie, 14 anos, irmã de Sulivan, diz que curte MPB mas gosta muito de Rock por escutar desde pequenina. Estava também na companhia da colega Luiza Tereza, 13 anos, que disse que a EXPO – ROCK é interessante por que mostra que o rock tem um significado real de vida, não discriminando outros estilos... Mas acredita que haja muita discriminação em relação ao Rock, e que deve haver mais iniciativas como a EXPO para mostrar o outro lado, que o Rock não representa as drogas.

Gilberto Dias, 64 anos, simpático, morador do bairro de Luís Anselmo, viveu e sempre passeou com a turma “Patota”. Na época, nos revela que Raul era um menino tímido, desconfiado, “ausente da existência das coisas”. Não havia intimidade em si. As suas idéias eram mágicas que se enquadram na evolução de uma “Teosofia”, e “que um coelhinho é um coelhinho mesmo assim é”.


A Srª Célia Rebouças foi visitar a Expo-Rock na companhia da filha Rebeca e do sobrinho Rogério Prazeres. Demonstrou muita satisfação ao contemplar a história do Ídolo acompanhada de duas gerações da sua família.



Maria Aparecida vai sempre ao cemitério tocar violão para Raul. Acredita que Zé Ramalho se aproxima de Raul em algumas semelhanças, porém, Raul é “indivisível”, eterno. Um Sr. que a acompanha fala - Metamorfose Ambulante. Maria fala de um sonho que teve com Raul recentemente, que dizia que ela iria cantar para muita gente. E isto aconteceu no dia 15/07 em Camaçari. E de repente, ao chegar no Shopping, se depara com a Expo, em homenagem a Raul e se emociona. Neste mesmo instante, como mágica, um músico que se apresentava tocando seu saxofone na praça de alimentação do 03º piso, toca uma musica de Zé Ramalho, “Lâmina”.

Edvaldo Tavares, 65, morador do bairro de Brotas, diz que Raul quando jovem, era contestador. Exalta a existência de um poeta e garante que Raul merece esta luta, esta manifestação, esta união do movimento Rocker, se referindo a sociedade alternativa organizada.

O PÚBLICO DA EXPO ROCK 2005
Por Cleber Rebel


Um público diversificado presenciou a Expo Rock deste ano, provando que não deve existir um estereótipo para servir de discriminação de qualquer pessoa perante a sociedade. Foi conseguido algo em torno de 1.183 (mil cento e oitenta e três) assinaturas que servirão de argumento popular em nosso favor no projeto da Praça do Rock que tramita na prefeitura da cidade do Salvador.

Nos seis dias de exposição, não faltaram histórias diversas sobre muitas pessoas que passaram por lá. Tivemos a oportunidade de conversar com algumas dessas pessoas e vimos o prazer estampado no rosto, seja de um garoto que se encantou com algum dos workshows ou até mesmo contemporâneos de Raul Seixas que nos saudaram pela iniciativa. Compareceram também vários músicos que já participaram de alguma edição do Palco do Rock, alguns até que se sentiram lisonjeados em ainda constarem em nossos arquivos de fotos, releases e shows. Porém, como sempre, há uma minoria que insiste no radicalismo e causa até um certo constrangimento pois exclamam coisas atípicas quando falamos de uma cena rocker que deveria manter-se unida. Falo de um cidadão que solicitou a retirada do release da banda “CRUCIFICATOR” dos nossos arquivos. Ele não se identificou, mas explicou que no segmento dele não há propaganda daquele tipo e aquela banda não deveria estar ali. Bom... Ele não sabia que quando uma banda manda seu material para participar da seletiva do Palco do Rock e assina a ficha de inscrição está em total acordo com a exibição de suas músicas e imagens que nos são enviadas. Assim mesmo recebeu a informação que se trouxesse uma declaração oficial assinado por qualquer um da banda, certamente a direção retiraria o release da pasta... Até então nada aconteceu...

Após tudo isso, coloco-me a pensar nestas pessoas que continuam pregando tanto radicalismo. O mundo se acaba aos poucos e um dos fatores culpados é essa intolerância que mata e destrói a todos nós.

Mas, como esta coluna não é exclusividade dele, falarei sobre outros presentes, que ao contrário do cidadão radical, souberam dar valor ao que foi feito e nos trouxe ainda mais prazer em fazê-lo. Pessoas como o professor de Geografia Manuel Santos, do Colégio Estadual Mário Augusto Teixeira de Freitas. Com 40 anos de idade e 20 de profissão pelo Estado, o professor Manuel presenciou nossa exposição e resolveu colher fatos e relatos sobre a vida de Raul Seixas para serem levados à sala de aula. Ele que já foi articulador do colégio por 3 anos, acha Raulzito um cara acima da média e pretende levar a cultura rocker que partiu de Raul Seixas para desmistificar a ligação do rock principalmente com as drogas, um serviço completamente útil que, com certeza, o grande professor Manuel vai levar à sala de aula para a prática com os seus discentes.

Como havia dito antes, algumas pessoas compareceram e gostaram de ver em nossos arquivos fotos de parentes ou até as próprias fotos, como foi o caso do vocalista da banda Na Onze, Luciano, que reconheceu o primo, antigo baterista da banda Injúria. Outro que sentiu-se honrado em ver os arquivos da ACCR foi o André, que já fez parte da banda Abutres.

Quem também pareceu bastante empolgado em ver um release da antiga banda do seu irmão foi um garoto chamado Cecéu. O irmão em questão é o Peu, que tocava com a Dois Sapos e Meio, tocou com Pitty, De Falla, Marcelo D2 e agora está com a banda Trêmula.

Outras pessoas que já fizeram parte da cena puderam visitar o local novamente como atração, como foi o caso de Cristhiano Ferreira, o Pinho, baixista que acompanhou Jone Frank no workshow de bateria. Ele já havia tocado guitarra numa banda chamada Slavery. Assim como Pinho, Ricardo Primata também já tocou nos velhos tempos do Palco do Rock, era guitarrista de uma banda que fez covers do Manowar.

Outro músico que compareceu como espectador foi o Joel Moncorvo que prestigiou a apresentação de Jone Frank e comentou sobre o evento: “Um grande desafio da ACCR e um grande presente para o público, uma grande festa”.



Neste ano, a Expo Rock levou para a área externa do Shopping Piedade atrações como Teatro e música, reunindo pessoas de várias idades e classes sociais. Crianças se divertiram com “A Filha Que Bateu Na Mãe Sexta-Feira da Paixão e Virou Cachorra”, senhores de mais idade saíram de lá com a melhor impressão possível do Workshow de Jone Frank, o “batedor”.

Nesses workshows, músicos amadores puderam tirar suas dúvidas com relação aos seus instrumentos. Muitos adoraram a idéia da ACCR e comentaram sobre. Paulo Henrique, que toca baixo na banda de Rock Inoxidáveis, acredita muito na idéia e acha que as portas podem se abrir para um grande investimento n a cena alternativa de Salvador. Outro que deixou sua impressão foi o Daniel Araújo, também baixista, que salientou a importância que o Jazz tem no seu aprendizado. Ele acredita na cena alternativa mas ainda acha que a quantidade de espaços é pouquíssima, porém, iniciativas como a nossa, tendo um maior investimento, fará da cena o que ela deve ser.

Endossando o que eu já disse acima, a variedade de pessoas foi sempre muito grande. Uma prova disso é a Terezinha Santos de 54 anos. Ela é bibliotecária, mora em Salvador há 5 anos e disse presenciar um show de Raulzito nos anos 80 em São Bernardo do Campo, São Paulo. Ela sempre foi fã de Raul e explicou sobre os bastidores daquele show. Disse que além do atraso de 2 horas, a multidão que estava no local entrou em conflito com a polícia, gerando muitas confusões até que Raul Seixas entrasse no palco e tudo fosse momentaneamente esquecido. Ela o considera um grande homem que pensava além do seu tempo.

Muitos seguidores de Raul Seixas compareceram à exposição e puderam mostrar sua paixão pelo ídolo. Jair Tenório, integrante do Fã-Clube Raul Rock Club 02, de Recife, possuidor de materiais raríssimos de Raul, o que nós podemos constatar. Ele disse que seu fã-clube era o mais anárquico. Eles confeccionavam camisas com frases tipo: “VOTE NULO, NÃO SUSTENTE PARASITAS” e mandavam para Raul. Há 14 anos em Salvador, Jair pretende conhecer Plínio Seixas, pois algumas fotos suas foram parar nas mãos dele e os negativos foram perdidos.

A dimensão da obra de Raul Seixas nunca será determinada. Foi espalhada como um vírus que infectou todos os dispostos à uma boa cultura, à uma boa música. Concordam com isso muitos seguidores de Raul, pessoas como D. Geovanilda Lima Cardoso e Silva de 59 anos. Comerciaria, ela diz ser uma grande fã de Raul e passou toda influência do ídolo para os filhos, um deles, velho conhecido da cena metal baiana: Ballof, vocalista da Headhunter D.C. No dia seguinte D. Geovanilda, uma pessoa fascinante, dona de uma felicidade e carisma levou para nós a foto do irmão de Ballof reverenciando Raul no cemitério há alguns anos atrás .

Outro que colocou-se à disposição da ACCR para contatos futuros foi o artista plástico Edvaldo Fernandes. Ele tem materiais feitos à próprio punho na técnica do carvão, caricaturando Raul e outros ícones do rock mundial.

Pessoas...muitas pessoas nos visitaram e nos deram bastante força na batalha pelo Rock and Roll. Ivan, segurança do shopping nos parabenizou pela iniciativa. Iuri Augusto, toca guitarra e achou que a abertura ao grande público pode gerar o interesse e a desmistificação de estereótipos impostos, pois cultura, em sua excelência, deve ser acessível a todos.

Lisiane Braga também foi uma destas pessoas. Ela que foi a última produtora do show do Angra e teve seu projeto, que elaborou por 7 meses, roubado de maneira infame por alguém acima de qualquer suspeita. A sua decepção foi tão grande que até parou de produzir para dedicar-se às questões ambientais, fundando uma ONG de Reeducação Ambiental, a RAM. Porém, ela não se desligou totalmente. Ainda ajuda o irmão num programa de rádio em Santo Estevão, o “On The Rock”, nome que também batiza a produtora.

A Lisiane também já produziu vários workshops como o de Rafael Bittencourt, shows do Shaaman e projetos de Bossa Nova. Ela diz estar maravilhada com o que viu. Vê que é interessante por alcançar vários tipos de público, dando-lhes oportunidade ao conhecimento e à cultura de maneira universal.

Convidados por Joel Moncorvo, o WebZine Metalvox (www.metalvox.com.br), de Feira de Santana, compareceu também em nossa exposição para ver o workshow de Contrabaixo. Seu editor, o Rosberg, achou boa a nossa iniciativa, mostra a qualidade dos músicos, servindo para derrubar um pouco o preconceito tanto pela pessoa baiana quanto pela cultura baiana. Achou que tudo isso é uma prova concreta do talento baiano, atiçando a curiosidade do público em geral, levando-os ao conhecimento e, quem sabe, a seguirem com o interesse pelo aprendizado de um instrumento. Ele, que trabalha com 5 webzines, sendo 2 nacionais (Feira de Santana e São Paulo – Paradise Metal) e 3 internacionais( E.U.A.,França e Alemanha ), procura divulgar as bandas da Bahia nos zines do exterior. Dando maior ênfase a isso, acredita que os resultados serão benéficos para todos, pois sabe do preconceito que existe para que se ganhe uma boa divulgação fora do estado e do país.

Também representando o webzine de Feira de Santana, Jaime achou estranho à primeira vista, mas percebeu o tamanho do desafio e acreditou que realmente poderia dar certo apesar de não atingir somente as pessoas ligadas ao mundo rocker, porém, isso poderia ser um grande trunfo, pois considera que informação é essencial em relação à cultura, independente de estilos musicais, por mais que se saiba que as preferências ainda são o que chama de “lixo musical”.

Quando perguntado sobre a cena alternativa de Feira de Santana, Jaime foi seguro ao responder que é bem representada. São várias bandas de várias vertentes, porém a produção de shows é que é pouca. Jaime fala de produção com conhecimento de causa, pois, produziu por muito tempo shows de Heavy Metal na cidade e agora volta à este tipo de produção. Comentou também sobre um ótimo festival, o Feira Rock. Diz sofrer com retaliações de alguns grupos dissidentes, assim como a ACCR sofre, mas, um trabalho feito com dedicação e empenho não pode ser vítima de radicais e nem deve parar. Hoje o webzine Metalvox cresceu assim como a quantidade de acessos com muitos clientes até mesmo do Sul do país.