28 DE JUNHO
Por Cleber Rebel
Ninguém explica tanto amor. Depois de cinco décadas e muitas revoluções, eis que o grito de pessoas com uma coragem especial para estabelecer um ritmo discriminado pelo que se chama de moral, ecoa pelas ruas de Salvador, que é intitulada como a cidade mais cultural do Brasil.
Então, teoricamente, uma cidade cultural deve abraçar quaisquer manifestações referentes a todo tipo de cultura. Infelizmente, essa máxima só serve para a teoria, se observarmos a cidade em questão.
Com o decorrer dos anos, todo tipo de música conseguiu mercado e público, alguns até com uma exploração comercial extrema, empurrando ouvido à baixo uma música nada criativa e com forte apelo sexual. Com isso, catapultou a grande maioria, desinteressada em conhecer uma música mais elaborada ou até mesmo simples, porém, com uma mensagem interessante para ser anunciada.
Com o Rock and Roll, houve uma grande indiferença desta grande fatia popular. A cidade natal do maior roqueiro do Brasil, Raul Seixas, manteve-se por muito tempo carente de atenção para o estilo. A música, que muitas vezes choca por expressar a verdade, ainda continua vivendo no ostracismo do underground.
Todavia, uma grande conquista após uma constante luta contra o preconceito, é a de se comemorar no dia 28 de junho o Dia Municipal do Rock. A sanção da Lei nº 5404 de 1998 traz, na sua data de comemoração, uma reverência e uma referência ao nascimento do pai do Rock, Raulzito. As comemorações estendem-se até o dia 22 de agosto, data da morte de Raul, com um grande encontro no Cemitério Jardim da Saudade, com os fãs reverenciando o ídolo cantando as canções que marcaram épocas, tudo isso ao redor do túmulo.
Durante o período comemorativo ao Rock and Roll em Salvador, uma grande exposição é promovida. A ExpoRock, através de acervos pessoais de muitos fãs, põe à mostra, fotografias, textos e uma infinidade de curiosidades relacionados ao ídolo Raul Seixas e ao Rock baiano, tudo isso organizado pela grande ACCR – Associação Cultural Clube Do Rock – presidida pela Sandra de Cássia e pelo Gabriel Amorim. Aliás, é da ACCR também todo o projeto e luta pelo Dia Municipal do Rock, além da realização de um dos maiores festivais de rock em espaço aberto do país (se não for o maior), o Palco do Rock, em pleno festejo carnavalesco baiano. A ACCR também promove outros eventos pela cidade, trazendo grandes bandas do cenário underground nacional como Garotos Podres, Claustrofobia e Chipset Zero... Há também em tramitação o projeto de se criar a Praça do Rock que abrigará um museu para que a realização da Expo Rock seja por todo o ano.
O grande problema para muitas classes culturais ainda é o patrocínio. O mercado prioriza uma vertente e as manifestações culturais alternativas ficam à mercê desse animal que aplica sua peçonha nas maiorias, infectando-as com preconceito.
E mesmo assim, depois de tantos percalços, a liberdade desse amor ninguém tira, ninguém explica.