RESENHA - APRESENTAÇÕES ESPECIAIS - EXPO ROCK 2005

EXPO ROCK 2005 – Apresentações Especiais
Por Cleber Rebel


1° DIA DE EXPO ROCK
THILDO GAMA NA EXPO ROCK 2005 E A EMOÇÃO DE REPRESENTAR RAUL


Dando continuidade às comemorações do Dia Municipal do Rock, a ACCR transportou para a área interna do 3º piso do Shopping Piedade a Expo Rock 2005, antes exposta no Hall do Teatro do IRDEB. Durante a semana que compreendeu do dia 04 até o dia 09 de Julho, no horário normal do shopping, o grande público pôde conferir o vasto material cedido pelo fã-clube RAUL SEIXAS FOREVER e também o material das bandas locais e de fora que tem registro ou já passaram pelos eventos da ACCRBA, curiosidades e apresentações especiais na área externa do shopping.

E falando de apresentações especiais, o primeiro a se apresentar foi o ilustríssimo THILDO GAMA, o 1º guitarrista de Raul Seixas e amigo do ídolo por 30 anos. Quem estava por lá ouviu grandes canções do nosso Maluco Beleza e pôde sentir a emoção que Thildo Gama tem quando se refere ao Raulzito. Não faltaram histórias e relatos pessoais do guitarrista, que derramou lágrimas sempre que se sentiu tocado pela lembrança. Lembrança, por sinal, foi algo que deixou Thildo Gama de fora do projeto Baú do Raul. Ninguém o procurou para participar do feito, embora seja o 1º guitarrista do homenageado. Ele exclamou sobre outras coisas como a presença e reconhecimento popular na cidade natal de Raul Seixas. Queixou-se e várias vezes citou a cidade de São Paulo como a melhor receptividade com relação aos trabalhos de Raul.

Thildo Gama também foi enfático ao falar do relacionamento de Raul com a MPB, dizendo que os grandes artistas da época, como Caetano Veloso, falavam mal do homem, mas, hoje acabam lucrando em cima do trabalho de Raul (vide Baú do Raul).

A praça reuniu um bom público interessado em ver e ouvir, naquela representação, a emoção de quem conviveu com o grande ícone do rock brasileiro e por que não dizer da música brasileira. Os presentes puderam tirar dúvidas sobre a vida de Raulzito e parabenizaram Thildo, reconhecendo seu trabalho, dedicado à história de um grande ídolo. Viva Raul e longa vida ao Thildo Gama.

2º DIA DE EXPO ROCK
GRUPO DE POESIA DA BIBLIOTECA BETTY COELHO


Declamando poesias e chamando a atenção do público que transitava pelo 3º piso do Shopping Piedade, os atores Douglas Almeida, Jane Sanches, João Vicente e Fernando Alves misturaram-se ao povo e por muitas vezes era difícil distinguir quem era artista e quem era povo. Representaram bem algumas canções de Raul como S.O.S., Tente Outra Vez e Sapato 36.

Algumas referências poéticas do nosso país foram citadas, tais como Cecília Meireles, Vinícius de Moraes e Manuel Bandeira.

O público soteropolitano talvez não esteja acostumado com esse tipo de cultura. É muito difícil vermos poesia em praça pública, imaginem num Shopping Center? Talvez por esse motivo a empolgação do público foi relacionada com um pouco de frieza em receber os atores da Biblioteca Betty Coelho. O que achamos inadmissível é o ator ainda precisar pedir as palmas do público, mostrando que Salvador é uma cidade bastante cultural, mas não aproveita bem todas as vertentes de sua cultura. Mas o que resta é pensar que valeu a iniciativa. Vamos esperar que nas próximas edições, o público reaja de maneira favorável e possamos ter o privilégio de ter uma cultura tão rica ao nosso alcance.

3º DIA DE EXPO ROCK 2005
CASA DO TEATRO POPULAR – TEATRO DE RUA ENCENANDO: “A FILHA QUE BATEU NA MÃE SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO E VIROU CACHORRA”.


Já chegaram ao local da apresentação chamando a atenção. Já vieram vestidos e prontos para o espetáculo, tratando de envolver o público enquanto não começava a encenação. Dado o OK, eles puderam fazer aquilo que sabem, e o fizeram. A multidão que se reuniu na entrada/saída do 3º piso do shopping pôde ver um espetáculo que pouco se vê gratuitamente, uma adaptação da literatura de cordel de autoria do Rodolfo Coelho Cavalcante, com direção de Virgílo Souza e texto de João Augusto, com participação de André Piscy e Rangel, supervisionados por Kuka Matos e Quinho.

Eles começaram cantando o hino ao Senhor do Bonfim, uma introdução ao que seria a estória da “Filha que bateu na mãe na sexta-feira da paixão e virou cachorra”. Cachorra?! É, cachorra!

Uma típica estória de interior nordestino, religiosa e encantadora pela beleza do texto, assim, foi-se dando segmento à apresentação. A filha, nada pudica, zombava da religiosidade da mãe, gostava de sair, de usar roupas insinuantes. A mãe, supracitada como religiosa, era também representada como uma senhora temente a Deus.

A filha, por sua vez, era contestadora e vivia a blasfemar contra o Senhor. Em alguns momentos, cheguei a pensar que se houvesse evangélicos no local, poderiam até não entender e realmente chamar de blasfêmia a bela apresentação dos rapazes.

Para continuar falando da filha, eis que ela “se arreta” e bate na mãe, e, assim como manda a lenda, a “desnaturada” vira uma cachorra. A mãe mostrou tanto amor pela filha que perdoou seu pecado e a levou para sessões de exorcismo (não confundir com os exorcismos atuais da TV) que resolveram a situação e a cachorra voltou a ser a Conceição, que viria a crer mais em Deus e no amor.

Enfim, belíssima apresentação da Casa do Teatro Popular, retirando das mãos do povo aquele aplauso que nem precisou ser pedido.Parabéns aos rapazes e muito sucesso!

4º DIA DE EXPO ROCK 2005
WORKSHOW COM O BATERISTA JONE FRANK E BANDA “ELETROTECH JAZZ BAND”


Dia chuvoso e uma preocupação com a realização do workshow de Jone Frank. Foi pensado em realizar dentro do shopping mas, assim que o tempo estiou, começaram a aprontar os equipamentos para iniciar o que seria um dos pontos mais altos de toda a EXPO ROCK 2005.

Tocando bateria desde os 20 anos de idade, Jone se profissionalizou aos 25. Seus trabalhos passados incluem participações com Bráulio Barral, Ed Binho, Henrique Campos(no Espírito Santo) e atualmente com as bandas Filha de Moleque e Eletrotech Jazz Band, além de participações em várias workshops e até mesmo no nosso Palco do Rock. Hoje vê que essa cena alternativa, da qual faz parte, poderia caminhar e se sustentar, pois os talentos que surgem são primorosos.Por isso pretende buscar outros mercados e levar o seu trabalho para São Paulo. Frank também ministra aulas, fabrica baterias e revende peças relacionadas ao instrumento.

Equipamentos devidamente instalados e com instrumentos bem afinados, o 1º Workshow da Expo Rock 2005, começa com Jone puxando o ritmo em sua bateria. Acompanhado pela “Eletrotech Jazz Band”, mandaram ver num Jazz Fusion nunca visto em praça pública qualquer de Salvador.

Conduziram o workshow com temas de grandes artistas do Jazz mundial como Charlie Parker e Pastorius. Tocam também temas próprios como “Quarta-Feira lá em Casa”, cujo esse nome foi dado minutos antes de começar um show.

O público reagiu bem ao som impactante do grupo. Pude ver bastante sorrisos que denotavam satisfação em presenciar o espetáculo.

Jone interveio nos intervalos das músicas com explicações sobre o Jazz Fusion e o interesse do público foi tão grande que alguns até sentaram para apreciar a arte do “batedor”, assim chamado por um casal da terceira idade que presenciou e fez questão de cumprimentá-lo após a apresentação. Esse mesmo público que parecia estar afim de ficar ali sentado por horas e horas interagiu bem com o artista e criou o verdadeiro clima de workshop, expondo as dúvidas que logo foram tiradas por Jone.

Falar da “Eletrotech Jazz Band” e não falar da qualidade de seus músicos seria um sacrilégio. Acompanham Jone, o baixista Cristhiano Ferreira, o Pinho, fera no instrumento há cinco anos e tocando com a banda há quatro. Só para citar, Pinho já participou do nosso Palco do Rock como guitarrista da banda de metal SLAVERY... Velhos tempos. No sax, Eric. Um cara bem instigado em sua música. Toca a seis anos e está com Jone há 1ano e meio. Outro que merece todos os nossos elogios é o tecladista Bell, tocando com Jone já há nove anos. Enfim, uma banda de “responsa” fazendo um Jazz Fusion para a massa, acostumada às mesmices que pairam demais no ar.

Com certeza, quem viu aquela apresentação pôde ter uma boa noite de sono naquela noite e ainda afirmo que todos ficaram com o velho gostinho de “quero muito mais”.

Antes que a administração do shopping pedisse o término e a chuva viesse lavar a alma, Jone deixou um bom recado sobre o que é ser músico alternativo em Salvador. Exclamou sobre o nosso evento e valorizou toda a produção. Mas quem teve seu valor merecido foi ele, o astro da praça, que reuniu gente de todas as idades e gostos, satisfazendo-os com algo desconhecido, mas fazendo-os mais felizes com tudo que foi realizado.

5 º DIA DE EXPO ROCK 2005
WORKSHOW COM O GUITARRISTA RICARDO PRIMATA


Esse workshow reuniu uma grande quantidade de pessoas, muitas até que já conhecem o trabalho do músico na banda SLOW e no seu projeto solo chamado RITMIA, por sinal, muito elogiado até mesmo fora do país. O workshow contou também com a participação especial de Joel Moncorvo, baixista, a estrela do dia seguinte.

Por causa das fortes chuvas que caíram sobre Salvador, houve alguns contra tempos com a administração do shopping, o que resultou num ligeiro atraso e deixou o público que foi pontual ainda mais ansioso.

Justamente por causa do atraso, Primata, guitarrista há 16 anos, só pôde contar com 20 minutos, porém foi tempo suficiente para que ele mostrasse sua grande habilidade com o instrumento. Sua técnica deixou o público boquiaberto. Por isso a presença de um grande público mesclado entre músicos amadores, admiradores e curiosos foi crucial até mesmo para o shopping, que, através de um representante admitiu a beleza e o encantamento do evento.

Primata comentou sobre os equipamentos que usa e indicou alguns e seus timbres. Logo após essa explicação foi a vez de Joel Moncorvo acompanhá-lo numa música da SLOW. Atraíram bastante a atenção do público que curte e o que não curte parou para presenciar o evento.

Como o tempo foi curto, a interação do público foi reduzida à poucas perguntas, mas, toda dúvida que apareceu foi tirada, seguindo os conhecimentos de Primata.

Ele tocou alguns temas que constam no cd de seu projeto solo RITMIA, falou de arpejos em suas variações, frases, escalas, etc. Fez seu marketing pessoal, falando do cd de música instrumental que está gravando e se chamará VISÕES e colocou à venda os cd´s do projeto RITMIA, o que rendeu bem, podemos entender daí que o público gostou bastante do trabalho de Ricardo Primata.

Exclamou sobre o cenário rocker da cidade, parabenizou a ACCR e fez questão de valorizar a sua cena, levando em conta as dificuldades mas, sempre com esperanças de vermos grandes shows internacionais na nossa cidade.

6º DIA DE EXPO ROCK 2005
WORKSHOW COM O BAIXISTA JOEL MONCORVO


No encerramento da Expo Rock 2005, a atração, além da exposição, foi o workshow do baixista da banda de metal SLOW, Joel Moncorvo.

Há 26 anos tocando o baixo, o compositor e arranjador Joel Moncorvo mostrou toda a sua técnica, apesar do curto espaço de tempo. Seus grandes projetos atuais incluem um belíssimo trabalho social feito com crianças surdas, a gravação do cd debut da banda Ungodly, lançamento do cd da Slow e um disco solo de música instrumental.

Novos problemas administrativos atrasaram a apresentação de Moncorvo. Muita gente compareceu e a ansiedade tomou conta enquanto eram definidos os últimos detalhes. Depois de tudo pronto, destruição total, no bom sentido. Começou tocando uma música da Slow que saiu numa coletânea lançada pela ACCR intitulada BAHIA ROCK COLLECTION no ano de 1996, “Killer Mermaid”.

Sua técnica e expressão são inconfundíveis e sua performance teve direito à limpeza do rosto com uma toalha. Detalhe: Ele mesmo limpou o rosto, segurou a toalha com uma mão e continuou a tocar com a outra, sem contar o gutural que foi feito. Moncorvo é mesmo bastante performático e comprova tudo com a qualidade de seu trabalho.

É triste ver que um artista como Moncorvo e o próprio segmento rocker da cidade ainda sofrem tanto preconceito, mesmo depois de ter provado a todos que o público sabe se comportar onde quer que esteja, mas esse é um assunto que nem deve ser citado para não parecer política. No mais, parabéns ao público pelo bom exemplo.

Ricardo Primata fez participação tocando uma música da Slow chamada “Possessed”, assim como foi feito no dia anterior.

Joel começou a tirar as dúvidas do público que interveio e absorveu a temática de um workshow. Logo depois, Primata voltou para fazer uma música que serviria de explicação para um dos presentes que questionou Moncorvo sobre técnicas do contrabaixo (N.do E.: A questão foi sobre “tapping”). Foi cobrado também, além do “tapping”, uma demonstração sobre “slap” e foi então que Joel trocou seu contrabaixo de seis cordas Tagima por um Fender de quatro, chamado de “xodó” pelo baixista. Fez a demonstração sensacional e despediu-se, deixando o público satisfeito com o que viu e acredito que alguns até se interessaram na prática do instrumento.

AGRADECIMENTOS:

Agradecer a Deus é um dever. Mas agradecer a todos que de alguma forma participaram direta ou indiretamente é a nossa obrigação. São eles:

Agradecimento aos nossos patrocinadores, parceiros e apoiadores:

Prefeitura Municipal do Salvador
Fundação Gregório de Mattos
IRDEB - TVE
Thildo Gama & Fã Clube Raul Forever
Shopping Piedade
Javier Alfaia e Rui Costa
Harpy Cymbals (www.harpycymbals.com.br)

Agradecimentos especiais para:

Paulo Lima, Célia Humildes, Roberto e toda galera da Cooperarte, Joselita Santana, Sérgio Miranda, Canaan, Marcos Mota, Iuri França (Iluminação), Luciano Cortizo, Jece Morais, Carlos Flores e Daphne Barbieri, José Augusto, Humberto Guanaes, Fabrício, Lordelo Transporte, Peralta e galera do Maccaca, Jornalista Zezão Castro, Thildo Gama, os verdadeiros Raulseixistas liderados por Robson Seixas, as bandas Movidos a Álcool, Persona Non Grata, Deja e Aluga-se, Sombra Sonora, Cuca e a Casa do Teatro Popular, Douglas e o grupo de poesia da Biblioteca Prometeu, a galera que agitou Workshops Jonnhy Frank (bateria) e banda Eletrotech Jazz Band (Pinho, Bell e Eric), Ricardo Primata (Guitarra), Joel Moncorvo (Baixo), os sites que cobriram (MetalVox e Paradise Metal) e todos os demais que são sempre ativos conosco (em especial: Reidjou, Canções.com e Kamymusic), todos os meios de comunicação que deram cobertura, às 1.183 (mil cento e oitenta e três) pessoas que assinaram o livro de visitas em prol da PRAÇA DO ROCK, você que não faltou ao show do dia 28 e a Expo Rock e os que passaram a nos conhecer (foi um prazer)... Valeuuuus!!!

Equipe de produção:

Direção Geral: Sandra de Cássia & Gabriel Amorim
Assistente de Direção Geral: Dêivide Henrique
Apoio: Cleide
Resenhas: Cleber Rebel
Apresentação: A.J.
Fotografia: Sandra De Cássia / Péricles Mendes.
Projeto e Operação de Iluminação: Iuri França
Engenharia de Som: Telles (vale ressaltar que ele foi o primeiro engenheiro de som à gravar o RAUL SEIXAS!!!)

E a todos os “cúmplices”... VALEU!! Sem vocês, nada feito !!!