HISTÓRIA

Festival Alternativo Palco do Rock. Um dos mais expressivos festivais de rock surgido da iniciativa de músicos do estilo que reivindicavam um espaço no carnaval baiano. Em 1991 foi criada a Associação Cultural Clube do Rock com o objetivo de incentivar a cultura rocker local. Sua primeira diretoria era composta por Humberto César (Tedão), integrantre da banda Sexto Sentido, Ediomário (Tuca) da banda Razão Social e Maria Luíza, advogada e simpatizante do movimento. Muitas reuniões foram feitas com as entidades responsáveis pela organização do carnaval baiano para que as bandas de Rock tivessem seu espaço. A idéia inicial do projeto era com bandas de Rock tocando em trios elétricos, porém não obteve êxito. Em 1994, Sandra e Ray da banda Ulo Selvagem se integraram a diretoria, fazendo com que idéias novas e maduras fossem implantadas. Sandra tinha um projeto que visava a realização de um grande festival em Arembepe (praia de uma cidade próxima, Camaçari) reciclando ao grupo uma opção de obter um palco alternativo só para bandas de Rock. O projeto então foi levado ao conhecimento do Sindicato dos Músicos, e o mesmo encaminhou até a Prefeitura. Depois de muito esforço, foi aprovado na Câmara Municipal de Salvador o Projeto Alternativo Palco do Rock, criando uma categoria intitulada "bandas de Rock". Neste primeiro ano, foi realizado um concurso público desenvolvido pela Prefeitura (Emtursa), Sindicato dos Músicos e Ordem dos Músicos do Brasil na Associação Atlética da Bahia, com as bandas divididas nas seguintes categorias: Música baiana, Samba e Pagode, Categoria Mirim, Bandas e Fanfarras e Bandas de Rock.

A categoria "bandas de Rock" obteve inscrição de mais de 40 (quarenta) bandas para o Concurso Público obtendo espaço para 2 (duas) bandas notórias, sendo elas; Ulo Selvagem, que ficou em primeiro lugar e a The Farpa, que ficou em segundo, conquistando assim o direito de fazer duas apresentações ao lado das bandas Cravo Negro, Treblinka e Úteros em Fúria. A categoria "bandas de Rock" obteve a melhor pontuação perante às outras categorias. Ao total, foram 27 (vinte e sete) bandas de Rock classificadas para tocar no primeiro Palco do Rock, montado na Praia de Jaguaribe. Todas elas receberam um cachê que variavam entre 1.000 (mil) a 3.000 (três mil) dólares. Cerca de mais de 3.000 (três mil) pessoas compareceram diariamente. Vale ressaltar as importantes participações de personalidades neste primeiro ano: Marcos (Blackness), Toni (Chemical Death), Metal tatoo e Toni Vila Nova (The Cross ).

No segundo ano (1995), já localizado na Praia de Piatã, o interesse pelo festival tanto pelo público que montava caravanas de diversos lugares da Bahia e até do Brasil quanto principalmente pelas bandas que demonstravam total interesse em participar do evento pela sua grande importância e pelo bom cachê que era pago pela Prefeitura, cresceu. A mídia concedeu uma maior divulgação, colocando equipes jornalística para fazer a cobertura do evento. Bandas como The Dead Billies e Slow foram os grandes destaques do concurso público, e na categoria "bandas notórias" abriu-se um leque maior com nomes como: Ulo Selvagem, Slavery, Mystifier , Head Hunter dc, Zona Abissal e muitas outras.

Em 1996 foi o ano da MTV, mas o pior em termos de estrutura. O festival foi denominado como a "Tenda de Dara" (por ter sido montada uma espécie de "lona gigante" em cima de uma estrutura de concreto espaçosa). Astrid Fontenelle, Ex-VJ da MTV, foi pessoalmente fazer a cobertura do festival para o programa "Antes da Fama". No primeiro dia, não obteve show, mas ainda assim as bandas que tocariam neste dia receberam o seus estipulados cachês, sendo elas a Dr. Cascadura, Autonomia, Trilhas Blues e outras. O restante dos dias do festival ocorreram normalmente.

O ano de 1997 foi o da polêmica, ano de eleição. A nova administração da cidade de Salvador fez uma série de mudanças, principalmente na contenção de despesas. Antes, Salvador tinha cerca de 21 (vinte e um) palcos alternativos (não de rock, e sim, axé e pagode) espalhados por toda cidade. Esses palcos foram diminuídos para apenas 4 (quatro) e o Palco do Rock não estava incluído. Tivemos o importante apoio do vereador Emmerson José que junto ao Prefeito Antônio Imbassahy reivindicou a permanência do Palco do Rock, e com muito esforço e dedicação mantemos a existência do evento, mas os "cachês" foram extintos, não mais pagos pela Prefeitura. Com isso, uma polêmica muito grande foi criada, porque o concurso público já havia sido realizado e as bandas escolhidas com seus respectivos cachês publicados no Diário Oficial do Município. Muitas delas se recusaram tocar gratuitamente. Foi concebida então uma reunião emergencial, onde ficou decidido convidar algumas bandas para suprir as vagas em aberto, sendo elas; Ulo Selvagem, Dr. Cascadura e Slavery, pois já tinham uma grande representação dentro do movimento. Estas mesmas concordaram em tocar gratuitamente em prol do fortalecimento do evento, mas o maior problema ficou por conta da banda Dorsal Atlântica (RJ), que foi selecionada como "banda notória" e ganharia um cachê de R$ 3.000. Conseguiu-se passagens de avião e hospedagem para a banda , mas os mesmos não vieram alegando o não - pagamento do cachê. O Palco foi montado, e por sinal uma exelente estrutura de som, palco e iluminação. Um dos melhores já acontecidos. As bandas que tocaram não ganharam cachê, mas foram muito importante para a manutenção do evento. Neste ano, apesar de algums empecilhos, a ACCR obteve uma vitória importante para o Rock local com a coletânea "Bahia Rock Collection" lançada pelo selo WR Discos, sendo composta com o melhor que existia no Rock local, tendo como seu principal objetivo mostrar o que a Bahia estava produzindo, com bandas como Nós nem Liga, Mercy Killing, Peacemaker, Slow, Crotalus, Blackness, Ulo Selvagem, Shadows, Síncope, Yonsem Maia, Dê Cream Cracker, Autonomia e Dois Sapos e Meio. Foi bem recebida pela crítica local e nacional pelo alto nível de gravação e qualidade técnica das bandas.

Em sua quinta edição (1998), o concurso público foi destituído e as bandas passaram a ser selecionadas através dos seus materiais pela própria ACCR. Surpresas importantes aconteceram, centenas de materiais de bandas locais e de outros estados foram recebidos. 9 (nove) bandas de outros estados participaram do festival. Dentre elas, destacamos Sem Destino (DF), Dread Razor (AL), Sevent Blight (AL), Oito (SP), Mortal Scenery (MG), Hanagorick(PE) , SLUG (DF) e outras que junto às bandas baianas ilustraram maior qualidade para o festival, revelando támbem bandas locais como Peacemaker e Mystery. Os músicos visitantes obtiveram suas hospedagens pagas pela prefeitura, mas os mesmos arcaram com as despesas de seus respectivos transportes e também tocaram sem cachê, provando assim a importância do festival.

Em 1999 tivemos mais uma vez a participação de bandas importantes do cenário alternativo nacional,
como Cabeça(RJ), Polux (RJ), RTL (DF), Dr. Savage (MG), No Rest (RS) e Wichtchery (RJ). Tudo transcorreu normalmente.

No ano de 2000, em sua sétima edição, tivemos representantes internacionais entre as atrações; Orlando Bové (americano de Los Angeles radicado em Salvador, que toca blues incorporando elementos percussivos da música baiana) e a banda Imortalis de Portugal (que toca trash metal). Tivemos também a participação de bandas que tocaram pela primeira vez no evento e se destacaram, como a Malefactor, Janquis, Crinus e outras.

O ano de 2001 foi marcado com mudanças inovadoras e também muita polêmica. Foi o melhor ano em termos estruturais. Além de palco, som e iluminação impecáveis, as bandas obtiveram um backstage, um website (este mesmo) para maiores esclarecimentos sobre o evento, maior cobertura da mídia local e nacional (visto alguns canais fechados e websites divulgando o evento) e estrutras "extra-palco-do- rock", como FutAreia e FutEspuma (Campeonato de Futebol masculino e feminino entre as bandas), além de reuniões mais estruturadas e festas de confraternização entre os músicos. Esta nova diretoria obteve um tempo hábil de apenas 4 (quatro) meses para realização do evento, tendo a frente da mesma; Sandra, Ray, Dirvan Fernandes, Gabriel Amorim e o colaborador Zezinho Peixoto. Dentre várias modificações, conseguiu-se abolir a taxa de manutenção do Palco do Rock, COM INSCRIÇÕES GRATUITAS!! (antes era cobrada uma taxa de R$50,00 [cinquenta reais] para as bandas se inscreverem, que servia para manter a sede da ACCR [agora em outra localização]). Este Festival Alternativo Palco do Rock foi também o mais eclético em termos de estilos musicais. Como bandas revelações, tivemos a Sociedade 3 Oitão, Terno Elétrico (DF), Lilit, Ácaros IPA, Kbrunco, O Festa e outras. Mas infelizmente, a inconsequência de alguns pseudo-marginais fizeram com que o Palco do Rock acabasse antes do previsto. O último dia do evento não aconteceu devido a um foco de violência (que convenhamos, era de fácil controle). A Polícia Militar do bairro de Piatã (sim, do bairro, pois o evento [que é aberto ao público] não possuia um contigente de policiais suficiente, obtendo vergonhosamente apenas 5 [cinco] à 10 [dez] diante de mais de 12.000 [doze mil] pessoas) foi até a produção do evento e notificou que "o quadro ali criado era impossível de reter, e o que acontecesse ali SERIA RESPONSABILIDADE DA PRODUÇÃO!!!". Ora bolas, não é uma responsabilidade da polícia FORNECER SEGURANÇA AO CIDADÃO??? Então, a noite do terceiro dia do Palco do Rock foi interrompida pela metade. E no quarto e último dia, a ACCR recebeu um telefonema do prefeito Antônio Imbassahy pedindo para que CANCELASSE O EVENTO devido ao ocorrido na noite passada. A ACCR não contestou, obedeceu a ordem do prefeito. Mas fica uma breve reflexão: Se o problema é a violência, por que não acabar com o Carnaval tradicional, já que a média de ocorrências são de 4.500 (quatro mil e quinhentas) por ano e o próprio Palco do Rock obtém ÍNDICES DE VIOLÊNCIA ZERO NESSES ANOS DE ACONTECIMENTO??

O ano de 2002 dispensa comentários no que diz respeito a intransigência dos REALIZADORES (leia-se: ACCR é IDEALIZADORA! Idealizadora pelo simples fato de realizar todo o projeto, mas não fornecer palco, som e iluminação, que é o cargo da EMTURSA [orgão público do município]). O Palco do Rock não aconteceu. Abaixo, um breve resumo de um comunicado postado no site de 2002, explicando o que aconteceu:

"A imprensa finalmente começou a se mobilizar a respeito do palco do rock. Nesta terça-feira, dia 5 de fevereiro, saiu uma matéria no jornal "Correio da Bahia" comentando a polêmica em volta do festival (em breve, vamos scanear e redigir para vocês visualizarem). Foi curta, porém verdadeira. Na quarta feira, ativamos alguns representantes de bandas e fomos ao programa do Sr. Raimundo Varela (um programa de utilidade pública muito conhecido na Bahia) e protestamos contra as intransigências sofridas por nós neste período. Finalmente, tivemos algum êxito. Colocamos algumas verdades à público, em vista que não poderíamos falar tudo pelo pouco tempo reservado a nós por causa do formato do programa (em breve, vocês poderam baixar uma mp3 do áudio desta entrevista). Sinceramente, em instantes, parece que estamos participando de uma gincana. Sim, uma gincana...

Estamos recebendo solidariedade de alguns orgãos e vereadores que tem conhecimento do festival (que aliás, com 9 anos de realização é praticamente impossível não conhecer). Isso é muito bom. Conseguimos então, reaver o Palco, Som e Iluminação. Os empecilhos agora são causados pela burocracia de documentos, onde apareceram algumas exigências ridículas e ilegais, somente para demorar mais e mais o andamento do festival. Além destes, ainda tem a papelada referente ao Costa Verde Tennis Clube, como alvará de liberação do juizado de menores (sim, porque o evento agora é fechado), liberação do ECAD (que "preza" pelos direitos autorais dos artistas. Só que os artistas que tocam no palco do rock são independentes e não tem suas músicas editadas. Vale frisar a falta de educação e de senso que o atendente do ECAD nos recebeu, sendo irredutível e totalmente ofensivo. Não quis saber de negociações mesmo sabendo da condição dos artistas, querendo cobrar pelo que NÃO EXISTE. E mais, que não tinha conhecimento sobre o evento. Não é demais??), liberação da SUCOM [cuja o clube está multado em R$ 10.000 (dez mil reais), sendo mais um problema], etc., etc. e etc. onde também houve burocracia, impedindo assim, a REALIZAÇÃO DO PALCO DO ROCK NO PERÍODO DO CARNAVAL ESTE ANO...

É isso mesmo. Parece que eles conseguiram excluir as 10.000 (dez mil) pessoas presentes diariamente nestes 8 anos de festival do carnaval alternativo. Tentaram de todas as formas nos atrasar para que se tornasse impraticável a realização do evento nas festividades carnavalescas. Preconceito. Mas é bom que o público saiba da verdade, não somente pelo cunho informativo, mas para realmente ter conhecimento de quanto lutamos pelo nosso espaço e que a ACCR não é uma organização irresponsável, como muitos desinformados e invejosos espalham em boatos. Agora, o reconhecimento, acima de tudo, é que nos motiva a acordar cedo e deixar nossos cotidianos de lado para cuidar da manutenção do Palco do Rock...

Em suma: O PALCO DO ROCK NÃO SERÁ MAIS REALIZADO NO PERÍODO DO CARNAVAL ESTE ANO. Não obtemos tempo hábil para agir como uma organização. Seria uma completa DESorganização. Mas ressaltamos que vamos continuar agindo, e que faremos o Palco do Rock em outras datas. Não nos sacrificamos tanto para perder essa guerra agora. Em breve, deixaremos à público também os nossos projetos sociais para melhorias do cenário rocker local."


Em 2003, com uma nova diretoria e nova estrutura, a ACCR, em protesto à não liberação para realização do mesmo, realizou o mesmo de uma maneira totalmente independente, alternativa e sem patrocínio, num local mais reduzido e com bilheteria. Agregou cerca de 800 (oitocentas) pessoas por dia, tocando ao todo 28 (vinte e oito) bandas, sendo 1 (uma) de Brasília (que arcou com suas despesas). Novamente, um marco de ousadia, feito somente pelas bandas e pelo público sedento pelo rock no carnaval. Todos ficaram satisfeitíssimos.

Em 2004,
mais uma vez, nós tentamos, pressionamos, mobilizamos a imprensa, e não conseguimos... recebemos mais apoio, mas, quem tem o poder não se pronunciou novamente.... E então, pelo 2° ano, fizemos no Teatro da Praia (a um preço super acessível). Foram 4 dias como sempre, com 36 (trinta e seis) bandas (mais que o ano passado), sendo 2 (duas) de Brasília (Sem Destino / Canelas de Cachorro), 1 (uma) de Fortaleza (Alma), 1 (uma) de Alagoas (TMD) e 1 (uma) de Minas Gerais (Drowned). Novamente, tudo transcorreu bem, e foi muito mais elogiado, sendo tema de 3 (três) trabalhos de diferentes faculdades de alunos de comunicação.

E finalmente, em 2005, NÓS CONSEGUIMOS!! Após 3 (três) anos sofrendo, colocamos novamente o Palco do Rock de volta às ruas, aberto ao público!! A nova administração da cidade entendeu os nossos anseios e direitos, e, numa medida emergencial, faltando apenas 2 (duas) semanas para o carnaval, cedeu um Trio Elétrico para tanto (intermediado pelo vereador Rui Costa). Foi um retorno em grande estilo, em cima do maior símbolo do carnaval Baiano!! Como sempre, foram 4 (quatro) dias de rock' n roll, onde 33 (trinta e três) bandas tocaram, apesar de MUITA dificuldade causada pela SUCOM e pela Chuva, sendo 2 (duas) de Maceió (MUT [Mutação] / Who Am 'I) e 1 (uma) de São Paulo (Chipset Zero, considerada uma das melhores). O Público médio foi de 4.000 (quatro mil) pessoas, devido o pouco tempo que tivemos de divulgação. Tivemos também Segurança Particular (contratada pela ACCR), presença da Polícia Militar, SAMU (Ambulância em forma de Posto de Sáude), Iluminação Reforçada de Área e, pela primeira vez, inserção na divulgação oficial do carnaval, o que inclui outros países!!! No ano que vem, foi prometido uma estrutura ainda melhor pela democrática nova administração da cidade do Salvador!!